Projetos de Resgate da Autonomia dos povos nativos do Acre

Como uma organização religiosa ayahuasqueira – em meio urbano – escolhemos nos colocar ao lado desses povos, guardiões originários dos saberes ancestrais sobre as plantas e medicinas da floresta.

O apoio permanente a essas comunidades que vivem na região da floresta amazônica onde é feita nossa Ayahuasca com tanto esmero e cuidado – medicina sagrada que tanta cura nos traz – é um dos princípios éticos do Instituto Nhanderu, pautado no respeito aos saberes acumulados por milênios por esses povos e generosamente compartilhadas conosco atualmente.

Os projetos de fortalecimento das aldeias também fazem parte de uma visão mais ampla do Instituto: reconhecer uma dívida histórica que nós temos com as populações que já habitavam o território brasileiro há milênios e que sofrem há mais de 500 anos todo tipo de violações.

Neste sentido, representam pra nós – e para quem nos apoia – um movimento de reparação histórica nesse processo de colonização de exploração, implacável pra esses povos.

O nosso objetivo com essas alianças e ações afirmativas é o fortalecimento dessas comunidades rumo a um processo pautado na autonomia financeira, para viverem em paz em suas terras, para que consigam vislumbrar um futuro para além do assistencialismo, que mais promove dependência de um sistema que vai totalmente contra os interesses e modos de vida naturais desses povos, VERDADEIROS GUARDIÕES DA FLORESTA!

Reforçamos o convite a todos que acompanhem nossos projetos e ações!

Ações com o Povo Noke Koi

No início dos anos 2000, as obras da BR 364 avançaram sobre as terras do povo Noke Koi, que fica a 60 km de Cruzeiro do Sul, Acre. Hoje, eles vivem na zona de impacto da rodovia e viram ser bastante alteradas as condições ecológicas e econômicas das aldeias.

Os indígenas relatam que, antes, tanto homens quanto mulheres e crianças, eram mais sadios e fortes. Todos se alimentavam de peixe, caça e produção própria de frutas e legumes.

Com o advento da Pandemia do Covid-19, o acesso a alimentação de qualidade ficou ainda mais inviável devido ao aumento do preço dos produtos e a escassez de ofertas.

Diante disso, iniciamos um processo de fortalecimento socioeconômico da Aldeia Varinawa, da etnia Noke Koi – onde são feitas as nossas Medicinas – com especial atenção aos processos de resgate da autonomia alimentar desse povo. 

Financiamento de Povoamento de lagos

Começamos em 2020, com o financiamento do povoamento de dois lagos da aldeia Varinawa/Noke Koî (Katukina): localizada na Amazônia, Cruzeiro do Sul, Acre. Doamos mais de 1100 alevinos e garantimos a manutenção da criação dos peixes com ração mensal. Além disso, adquirimos artesanatos para a revenda em nossa loja social, localizada no centro de São Paulo.

Construção do 1º galinheiro Aldeia Varinawa

Em 2021, construímos com a contribuição da comunidade Nhanderu, um galinheiro com capacidade produtiva para 400 aves, adquirimos 100 aves para iniciar a criação e fornecemos um lote de ração para os primeiros 6 meses.

Plantio de Jagube e Chacrona Aldeia Varinawa

Em 2023 o Instituto Nhanderu esteve novamente no Acre com dois de seus dirigentes: Adriano de Camargo e Marco Paulo. Aquele ano, investimos no plantio das mudas de jagube e chacrona na aldeia Varinawa (Povo Noke Koi).

Ações de apoio ao Povo Nukini

Como parte da missão a que nos propomos – que envolve o compromisso com a PROMOÇÃO DE RESGATE E FORTALECIMENTO DA AUTONOMIA E SUSTENTABILIDADE DE POVOS ORIGINÁRIOS que vivem na Floresta Amazônica brasileira, no Vale do Juruá, no Acre; financiamos na Expedição 2023 – com recursos próprios + contribuição mensal de associades, campanha financeira e doações espontâneas de colaboradores, a compra de roçadeira para a aldeia Recanto Verde (Povo Nukini);

Construção do 2º galinheiro Aldeia Hunikuin 2024

Todos os anos o Instituto Nhanderu faz projetos com populações indígenas da Amazônia, em alguma comunidade que esteja passando por dificuldades relacionadas a insuficiência alimentar, um desafio que vem se agravando cada vez mais, conforme a ocupação da região vem ocorrendo de forma exploratório, com forte impacto no desmatamento da floresta e com a progressiva perda de território dessas populações, fazendo com que a caça e a pesca se tornem recursos cada vez mais precários.

Diante dessa realidade complicada, estamos constantemente monitorando esse processo, entendendo que os impactos desse modelo de colonização exploratória, que perdura desde a chegada dos europeus em território brasileiro recai mais pesadamente sobre aldeias mais próximas dos núcleos urbanos, como é o caso do Vale do Juruá, na Amazônia acreana.

Esses povos passam a depender cada vez mais de políticas públicas assistenciais e iniciativas isoladas da sociedade civil, que muitas vezes não levam em consideração as características nutricionais originárias dessas comunidades, focando na doação de alimentos que não são os consumidos na dieta nativa dos indígenas, levando a quadros de desnutrição, especialmente de crianças e idosos.

Cientes das dificuldades mencionadas, o Instituto Nhanderu financiou a construção de um galinheiro na Aldeia hunikuî ûdî puya vakêvu, uma comunidade que vive em terras cedidas pelo povo Puyanawa, no município de Mancio Lima, no Acre.

Este projeto foi financiado com recursos próprios do instituto, além da valiosa contribuição dos associados, parceiros e os próprios indígenas que, assim como nós, entendem a importância de ações afirmativas com esses povos, como forma de reparação histórica (embora insuficiente), por séculos de um processo de expropriação dos recursos naturais do território da floresta amazônica e de todo o país, levando os habitantes originários a condição de extrema vulnerabilidade social.

A construção de galinheiros, assim como o repovoamento de rios e lagos na região, fazem parte de um projeto maior, que visa a promoção e/ou o resgate de autonomia alimentar para esses povos, nesse caso foram beneficiadas 9 famílias dessa aldeia Huni Kuin, dentre elas 26 crianças.

Ação de apoio permanente aos povos originários na Amazonia – Plantio de Jagube e Chacrona Aldeia Hunikuin

No primeiro semestre de 2025 o Instituto Nhanderu financiou o plantio de mais de 200 mudas de cipó jagube (Banisteriopsis caapi) e Chacrona (Psychotria viridis), que são as duas plantas usadas na confecção da bebida Ayahuasca, usada nas cerimônias religiosas em nosso templo.

Nosso feitio atende mais de mil pessoas por ano, pessoas que buscam no chá sagrado os benefícios já amplamente reconhecidos pela ciência no que tange a melhoras nos quadros de ansiedade, depressão, transtornos relacionados ao uso problemático de álcool e outras drogas, entre outros desafios que a vida urbana contemporânea nos impõe.

Originalmente as plantas usadas na decocção da Ayahuasca são coletadas na floresta amazônica, por povos indígenas que detém esse conhecimento e fazem uso da bebida há centenas de anos. Entretanto, mediante a crescente demanda pelo uso da bebida em cerimônias religiosas em templos xamânicos urbanos por todo o país, tem feito com que essa coleta cresça em proporção incoerente com a capacidade de recomposição das espécies nativas na floresta.

Cientes da necessidade de cumprimento do preconizado pela Resolução n* 1 do CONAD/2010, que trata da exigência de as casas ayahuasqueiras terem um plano de manejo ambiental das espécies vegetais, o Instituto Nhanderu tem financiado com recursos próprios o plantio dessas plantas em aldeias indígenas do estado do Acre, com o intuito de promover a autonomia financeira desses povos, que enfrentam inúmeros desafios para resistir e sobreviver em meio a uma ocupação predatória permanente em seus territórios.

Além disso, com a certeza de que esses povos são guardiões originários da floresta, ao financiar esse tipo de ação, pretendemos garantir a aquisição futura dessas plantas diretamente com esses povos para os feitios do nosso chá sagrado, como forma de reparação mínima das perdas históricas que os indígenas acumulam ao longo da colonização em território brasileiro, desde 1500.

Nessa ação foi beneficiada a aldeia Huni Kuin, localizada na cidade de Mâncio Lima, no Acre, onde vivem 14 famílias, sendo 49 pessoas no total.

A responsabilidade social e ambiental são compromissos éticos fundamentais do Instituto Nhanderu, que foi fundado com a missão principal de garantir o acesso as cerimonias com Ayahuasca a pessoas que não tinham condições financeiras de arcar com os custos do chá: pessoas em situação de rua, egressos do sistema prisional, mulheres vítimas de violência e os povos indígenas.

Sendo assim, seguimos no nosso trabalho, contando com a colaboração de todos que também acreditam que é possível “cuidar de si pra deixar o mundo um pouco melhor”.

Para essas ações continuarem sendo possíveis, temos o apoio direto dos membros associados do Instituto, parceiros que adquirem a medicina conosco para realizar rituais em seus templos, doações espontâneas e todos os clientes que adquirem produtos da loja social Nhanderu Xamanismo, a qual direciona parte da renda para viabilizar projetos sociais como este.

Registros: Adriano de Camargo
Arte: Taani Rodrigues

Revitalização do Galinheiro Hunikuin em 2025

Em Mancio Lima – Acre

Em 2024 o Instituto Nhanderu financiou a construção de um galinheiro junto ao povo Huni Kuin, no estado do Acre.

O objetivo desse projeto nas aldeias localizadas na floresta amazônica, surgiu a partir de pedidos de ajuda de pajés, que estavam vendo seu povo cada vez mais desnutrido e exposto a doenças, em decorrência da escassez de carne de caça e também da perda de acesso a rios/lagos com presença de peixes.

Essa perda de territórios selvagens segue ocorrendo de forma acelerada e violenta, com a ocupação de áreas de floresta nativa por pastos, plantio de soja, café, etc.

Diante da constatação dessa dificuldade nas aldeias, iniciamos campanha e mobilização de recursos financeiros próprios para garantir estrutura para criação de galinhas, com o objetivo de que a aldeia retome a autonomia alimentar, contando com o consumo das aves e dos ovos.

Em 2025, fortalecemos esse galinheiro com mais filhotes e aquisição de ração para as aves.

Em 1 ano as famílias já conseguem se alimentar dos frangos e garantir as ninhadas pra multiplicar cada vez mais esse recurso alimentar.

Revitalização do Galinheiro Hunikuin em 2025
Registros: Adriano de Camargo/ arte: Taani Rodrigues